É impossível para os servidores públicos federais aceitar a proposta definitiva do governo de "reajuste" apresentada na última reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, no dia 20 de abril passado. Além de não recompor as perdas salariais do conjunto dos servidores, a proposta divide as categorias, aumenta as distorções, penaliza os aposentados e pensionistas e mantém a lógica perversa das Gratificações de Desempenho (GDATA, GDASS, GDASST e agora uma "nova", que será criada para os servidores das IFES).Essa "política de remuneração" não valoriza o servidor público porque investe na divisão do funcionalismo, jogando uma categoria contra outra. Serviço público de qualidade exige servidor qualificado e com salário digno.
Portanto, chegou a hora de construirmos nossa greve em cada local de trabalho, em cada órgão público, em cada ministério. A Plenária Nacional dos SPFs aprovou a paralisação a partir do dia 10 de maio/2004, mas só a "deliberação" não será suficiente. Precisamos estar conscientes da necessidade de fazermos a greve juntos e de consolidarmos nossa posição na luta pelas seguintes reivindicações emergenciais:
· Paridade entre ativos, aposentados e pensionistas;
· Reposição emergencial de 50,19%;
· Incorporação das Gratificações;
· Diretrizes de Planos de Carreira já;
· Piso Salarial de R$ 1.440,00.
Por que a proposta do governo é inaceitável?
1) O que o governo chama de reajuste não é considerado, pelos servidores, como reajuste. Isso porque não altera em nada o vencimento básico que, mais uma vez, fica congelado. Há um aumento no valor dos pontos das gratificações de desempenho (produtividade) para os professores da esfera federal (primeiro, segundo e terceiro graus), servidores do PCC (Plano de Classificação de Cargos) e servidores da previdência (da Carreira de Seguro Social); servidores da Seguridade Social e Trabalho. Para os servidores técnicos administrativos das universidades o governo vai criar uma gratificação fixa. Os outros servidores não terão qualquer política de melhoria salarial.
2) A política salarial do governo amplia a instabilidade do servidor. Há várias razões para essa afirmação:
a) A parte variável fica maior, mas é justamente essa parcela do salário que pode ser retirada ou diminuída a qualquer momento com base na Emenda Constitucional Nº 19 e na Lei de Responsabilidade Fiscal;
b) A ampliação dessa parcela não permite o impacto sobre vários direitos, como, por exemplo, o adicional por tempo de serviço e a GAE;
c) Fica cada vez mais distante a incorporação das gratificações aos salários quando se aumentam as gratificações e se congela o vencimento básico;
d) Com o aumento das distorções contido na proposta do governo, fica cada vez mais distante a implementação das carreiras.
3) Essa proposta discrimina os aposentados e pensionistas e amplia os problemas criados pelos governos de FHC. Os aposentados continuarão recebendo valores menores que os ativos porque se mantém a distorção de pontuação entre ativos, aposentados e pensionistas.
4) É reforçada a idéia de que não há mais reajuste salarial e sim correção permanente das gratificações. Novamente é o "bombom" envenenado que coloca a idéia de dinheiro no bolso imediatamente em contradição com a idéia de políticas salariais justas e permanentes. No caso dos servidores, segundo a Constituição, o único valor que não permite diminuição é o do vencimento básico. Os policiais federais já vivem a ridícula situação de ter seus VBs representando apenas 7% do salário que recebem. Com essa política salarial, diversas carreiras terão seu vencimento básico representando cerca de 25% da totalidade dos seus salários. Imaginem: 75% dos salários podem ser retirados a qualquer momento, dependendo das conveniências do governo!
5) A lógica das gratificações de desempenho é perversa porque:
a) Divide a categoria, jogando servidor contra servidor;
b) Na maioria dos casos depende da avaliação dos chefes, o que significa que
nada está garantido;
c) Não é incorporada ao salário e discrimina aposentados e pensionistas, que recebem os valores mínimos.
d) Possibilita abertura de processo administrativo contra o servidor, o que pode levar à demissão.
Contra tudo isso, greve geral dos servidores públicos federais a partir de 10 de maio/2004.
CNESF